Um desabafo sobre o que é a AIESEC

Há cerca de dois anos entrei num anfiteatro na FEP para assistir a uma sessão de esclarecimentos sobre a AIESEC. De uma forma muito resumida saí de lá a achar que sabia o que era. Quando descrevi, no final desse dia em casa, ao que me estava a candidatar, devo ter usado palavras como organização internacional, estágios e liderança. Não estava errada, a AIESEC é de facto uma organização internacional, são estágios e é também liderança. Mas não é só isso…

Integrei um dos departamentos da AIESEC na FEP e comecei a trabalhar nas tarefas que me foram sendo atribuídas. Rapidamente me apercebi que ia desenvolver competências importantes porque estava constantemente fora da minha zona de conforto: tinha de falar com pessoas que não conhecia de lado nenhum ao telefone, tinha de conhecer os processos para responder às dúvidas dos estagiários e tinha de saber gerir bem o meu tempo para fazer isto tudo em harmonia com os meus estudos. Nesta altura já acrescentava palavras diferentes quando falava sobre a AIESEC, como crescimento pessoal e profissional, desenvolvimento de soft skills, entre outras.

Depois houve um dia em que conheci três meninas que tinham entrado na AIESEC há pouco tempo e, tal como eu quando entrei, não sabiam bem o que era e, em parte, dependiam de mim para perceber. Tentei explicar-lhes, tentei mostrar e de forma inconsciente foi ao vê-las crescer, vê-las fazer os telefonemas que me tinham assustado no inicio, ao responder às suas dúvidas, que aprendi eu também o que era realmente a AIESEC. Só que agora, quando me perguntam o que é, eu tenho dificuldades em ir buscar mais palavras, porque a AIESEC move algo tão forte em mim que se torna difícil de explicar.  Foi neste momento que eu me apercebi que a AIESEC é estar num pequeno escritório a escrever mails até tarde e de repente olhar para uma porta cheia de autocolantes vindos de todas as partes do Mundo e tomar consciência que o nosso trabalho vai muito mais além das competências que podemos estar a desenvolver. É ver pessoas nervosas por falarem em público, e um ano mais tarde ver essas mesmas pessoas a falarem em frente a uma audiência duas vezes maior de forma clara e exemplar. A AIESEC é conhecer uma pessoa antes de ir realizar um estágio internacional e no seu regresso encontrar uma pessoa diferente e melhor. É conhecer pessoas que não sabem o quão longe podem voar e tentar ajuda-los a descobrir as asas. É ajudar os outros a crescer e crescer também, sem dar por isso. A AIESEC é não haver problema em não sabermos quem somos, nem o que queremos ser. Só vamos ser jovens uma vez e não é suposto sabermos quem somos, não é suposto fazermos tudo bem. É suposto cometer erros, falhar, estar frustrado e aprender a viver com isso. Para mim, a AIESEC é o lugar onde se consegue isto da forma mais bonita.

Micaela Sousa,

Coordenadora do Departamento de Relações Internacionais da AIESEC na FEP